Sim, São Paulo está explodindo. Costumo comentar com alguns amigos que o mundo vai acabar "no trânsito".
Não água ou fogo. Trânsito.
A Marginal Tietê não suporta mais meio carro.
E, como todo assunto da moda, além de viver e participar do caos, ouço no rádio as estatísticas da lentidão, assisto a debates na TV com autoridades, vejo manchetes nos portais e capas de jornais impressos.
Os assuntos da moda às vezes são interessantes mesmo, mas para um ou dois dias talvez. Esse bombardeio diário é um pé-nas-partes!
Mas como não quero chover no molhado (até porque a chuva potencializa a lentidão nas vias), o assunto aqui é outro: solidão.
Ao menos foi essa a palavra que me veio à cabeça quando presenciei a seguinte cena:
"Terça-feira, 19h30. A cidade executa seu castigo diário aos que retornam do trabalho. O desejo que muitos compartilham é o de chegar em casa e tirar os sapatos.
Ao longe, ouço ´Crééééu, créééu, créééu´. Foi meu primeiro contato com o hit do momento. Muito estranho, não sabia ao certo do que se tratava.
Aos poucos deu para perceber que era um ritmo dançante, daqueles que surgem nas temporadas de verão. Coisa de praia, carnaval e pistas de dança.
Mas algo me surpreendeu quando o som ficou mais próximo. A música vinha de um carro que logo parou ao lado. No reflexo, já olhei imaginando que encontraria um grupo de amigos fazendo bagunça num carro de vidros escuros.
Só que...não foi bem isso que encontrei.
Era apenas um. Uns 40 anos de idade. Em carro comum, sem detalhes esportivos ou traços de capricho jovem.
E o homem cantava junto. `Créu, créu, créééu´. Sério, como quem canta MPB."
Não consigo dar mais detalhes porque isso tudo ocorreu num instante.
Mas a cena me deixou pensando durante algum tempo. Aliás, muito tempo. Afinal, ainda faltavam 2 ou 3 quilômetros até eu chegar em casa, o que se traduz em 35 a 45 minutos.
Será que aquele homem queria dançar?
O pior é que ele estava sozinho.
sábado, 22 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
Numa terra muito distante
As linhas abaixo são pura ficção e qualquer semelhança ou associação com o mundo real será pura coincidência. Também não devem servir de inspiração, até porque atitudes radicais são traumáticas e geram efeitos colaterais.
“Numa terra muito, muito distante, onde a ponta do chicote não alcança, a desordem tomou conta das lideranças públicas. É tanta mentira e abuso de poder que a população local já não sabe distinguir o bandido do mocinho. Lá ainda existem homens públicos sujos. Acreditem, isso realmente ainda acontece nesses lugares distantes, onde a mão pesada e corretiva da justiça não alcança.
Após anos nesse caos vergonhoso, nasce uma sociedade secreta chamada “Justiceiros da Borracha”. São homens de curta paciência e extremo engajamento na restauração da ordem. Sua filosofia é simples e direta: para cada falcatrua haverá um castigo proporcional, baseado em chineladas.
E o conceito não é baseado em castigo físico, mas no princípio da reciprocidade. Dizem que “é humilhante ser enganado publicamente e não poder fazer coisa alguma, é como uma chinelada na cara. E não qualquer chinelada. Imagine uma daquelas sandálias populares de borracha, bem daquelas que ficam meio molengas após uns minutos ao Sol. Pois é, esses caras precisam sentir um pouco disso também”.
Quem já passou pelo castigo confessa que o golpe atravessa a pele e vai direto à alma, causando arrependimento e profunda vergonha.
Algumas novas ferramentas têm sido testadas, como a “surra do maço de salsinha”, aquela planta também utilizada como tempero. Parece que o efeito é superior ao das chineladas, causando feridas no orgulho dos safados.”
Voltando à realidade, é triste pensar na possibilidade de ser enganado publicamente. Por sorte não pertenço a essa terra tão distante.
“Numa terra muito, muito distante, onde a ponta do chicote não alcança, a desordem tomou conta das lideranças públicas. É tanta mentira e abuso de poder que a população local já não sabe distinguir o bandido do mocinho. Lá ainda existem homens públicos sujos. Acreditem, isso realmente ainda acontece nesses lugares distantes, onde a mão pesada e corretiva da justiça não alcança.
Após anos nesse caos vergonhoso, nasce uma sociedade secreta chamada “Justiceiros da Borracha”. São homens de curta paciência e extremo engajamento na restauração da ordem. Sua filosofia é simples e direta: para cada falcatrua haverá um castigo proporcional, baseado em chineladas.
E o conceito não é baseado em castigo físico, mas no princípio da reciprocidade. Dizem que “é humilhante ser enganado publicamente e não poder fazer coisa alguma, é como uma chinelada na cara. E não qualquer chinelada. Imagine uma daquelas sandálias populares de borracha, bem daquelas que ficam meio molengas após uns minutos ao Sol. Pois é, esses caras precisam sentir um pouco disso também”.
Quem já passou pelo castigo confessa que o golpe atravessa a pele e vai direto à alma, causando arrependimento e profunda vergonha.
Algumas novas ferramentas têm sido testadas, como a “surra do maço de salsinha”, aquela planta também utilizada como tempero. Parece que o efeito é superior ao das chineladas, causando feridas no orgulho dos safados.”
Voltando à realidade, é triste pensar na possibilidade de ser enganado publicamente. Por sorte não pertenço a essa terra tão distante.
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