domingo, 17 de fevereiro de 2008

Pecado justificado

Domingo, dia de massa, salada de frutas e recarga de baterias.
O horário de verão se foi, o que me dá uma hora a mais nesse fim-de-semana. 4% de um dia. Pode parecer pouco, mas tudo depende do referencial. Uma hora a mais de sono chega transformar um dia! Uma hora a mais comendo pesa na consciência. Pensando em soluções práticas para os problemas cotidianos, essa hora poderia ajudar a zerar o check list.
Mas já se foram alguns minutos e ainda não decidi o que fazer com esse bônus no relógio.
Pois bem!
Vou fazer nada.
É, nada. O pecado capital da preguiça. Curtir cada momento da espreguiçada (de prazer comparável ao de poucas outras situações), do bocejo e do sofá.
E, acreditem, isso também é viver intensamente. Cabe no verso “cada momento como se fosse o último”.
Até a preguiça tem o seu quê sua poesia. Ao menos a minha tem.

Ok, mas qual é o aspecto interessante disso?
Há um detalhe simples aqui: ambiente.
Fui abençoado com uma família que me permite curtir um pouco de preguiça e paz em nossa casa.
E, ao menos em meu círculo de relacionamentos, vejo que isso é algo cada vez mais raro.

Somos em cinco, todos sinceramente cultivando o cuidado mútuo.

Família: em minha vida é o palco de aprendizado e prática de virtudes.

Obs.: Prefiro o horário de verão. A luz do sol faz um bem danado ao cérebro.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sobre viver

Comentar sobre a vida em si pode parecer profundamente filosófico, mas também existe uma abordagem mais prática.
Biologicamente, viver é um processo regular ancorado nas necessidades fisiológicas (comer, dormir, reproduzir-se etc). E isso é algo comum às diferentes espécies. O que muda é como se satisfaz tais necessidades.
Mas, se é assim, o que nos faz diferentes de uma samambaia?
Talvez cada um encontre uma melhor maneira de explicar.
A minha tem o seguinte caminho:
Depois de certo tempo corrido desde meu nascimento, me dei conta de que tudo o que fazemos vai num mesmo sentido. Aprender a ler, dedicar-se ao estudo, escolher uma carreira, trabalhar, erguer um lar onde se possa comer, dormir e acolher uma família. E o tempo todo sob a pressão da concorrência. Concorremos por uma vaga na faculdade, por um assento no ônibus, por uma pessoa pela qual nos interessamos. Algumas disputas chegam a ser comparáveis com uma dança do acasalamento, mas isso é tema para outra postagem.
O grande mistério disso tudo é o “como”.
O que deixa o tal processo regular menos mecânico é o prazer com o qual fazemos as coisas. Trabalhar vai ser menos doloroso àqueles que puderem sorrir. Comer vai ser menos repetitivo a quem repara em cada sabor e encontra aqueles que mais agradam.
É preciso ter o tal do “feeling” e encontrar graça na rotina. Aqui, vale todo esforço possível. Do contrário, qual a vantagem em não ser samambaia?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Qual a verdade mais verdadeira?

Antes de cair de cabeça nessa história de "produzir/reproduzir conteúdo", fiquei matutando e pesquisando nomes para o blog.

O ponto de partida foi esse momento "casa da mãe Joana" na política brasileira. Não pela política, mas pelas pessoas que a fazem. Fico com cara de pastel a cada vez que vejo algum cidadão dizendo "eu não sei o porquê de minha assinatura estar presente nesse contrato" ou "são dois cartões de crédito idênticos, eu usei o corporativo por acidente". Será que por acidente o valor não apareceu na fatura mensal desse cara?

É tanta denúncia que não dá para acompanhar o passo a passo de todas elas. Imagino o trabalho que a imprensa tem para conseguir ligar os pontos e realizar uma cobertura lógica dos fatos.

Desabafos à parte, o ponto importante é o seguinte: a verdade é uma só. O que se faz a partir dela são outros 500. Eu não me importo em saber se o cara recebeu propina para pagar pensão ou comprar um carro novo. Se recebeu, é culpado e não deveria ter o poder de representar nosso povo.

Mas, como mencionei, o que me intriga é gente. Como essas pessoas conseguem chamar umas às outras de mentirosas? Se estão lá para representar uma nação e cuidar de seu bem-estar, deveriam apenas discutir melhores formas de se educar, de garantir saúde etc. Mas a política tem se resumido à criação e ao confronto de verdades pessoais. "A minha verdade é mais verdadeira que a sua e você não é capaz de provar o contrário".

Enquanto isso a gente fica com cara de pastel procurando nome para o blog. E não é que achei?
Dicotomia. Simples e objetivo. Ou A ou B. Essa história de "confrontar verdades" não é coisa de gente direita.


Na Wikipedia:

A dichotomy is any splitting of a whole into exactly two non-overlapping parts.
In other words, it is a bipartition
of elements. i.e. nothing can belong simultaneously to both parts, and everything must belong to one part or the other. They are often contrasting and spoken of as "opposites."


The term comes from the Greek dichotomia (divided): dich- (form of dícha, in two, asunder); tomia- a combining form meaning cutting, incision, excision of an object.

Se as postagens seguirem essa linha, não faltará inspiração.